Liocádia Macamo: a bicampeã africana de voleibol de praia que ainda não se sente realizada

Em Moçambique são poucas as modalidades que já lograram o feito de conquistar dois títulos continentais seguidos, mas o voleibol de praia, mesmo sendo um das que recebe menor financiamento do Ministério da Juventude e Desporto, é dona dessa proeza. Liocádia José Macamo é rainha de África no que aos sub-21 diz respeito, tendo conquistado o primeiro título em 2017 e o segundo no corrente ano.

Eleita a desportista mais popular de 2018 na Gala do Desporto, evento organizado pelo INADE e que visa homenagear e distinguir os agentes desportivos, e melhor servidora no Campeonato Regional da Zona VI de 2014. Liocádia Manhiça, que em 2015, no escalão de juniores, foi considerada melhor servidora, melhor defesa e melhor jogadora do Campeonato Nacional, é a entrevistada da VIVA para o mês de Agosto.

Quem é Liocádia José Macamo e onde se iniciou no voleibol?

Liocádia José Macamo é um atleta moçambicana que prática a modalidade de voleibol. Começou a jogar vólei na escola primária completa das Mahotas, arredores da Cidade Maputo, quando frequentava a 5ª classe e por influência do seu professor, Ribeiro Dombo.

Nas duas últimas edições do Campeonato Africano de Voleibol de praia, na categoria de sub-21, subiu ao lugar mais almejado do pódio e fez com que o hino de Moçambique fosse entoado naquele certame. Qual foi o segredo destas conquistas?

O segredo é e sempre será a presença de Deus e a humildade aliado ao Fruto de muito trabalho. Sinto-me orgulhosa, sobretudo, por termos conseguido o segundo título numa fase em que o país todo estava de luto devido as calamidades naturais. Foi um enorme júbilo dar um pouco de alegria aos meus irmãos moçambicanos.

A situação triste foi uma motivação extra para revalidarem o título

É sempre uma grande responsabilidade e, acima de tudo, orgulho defender as cores da bandeira nacional. Queríamos dar um alegria aos nossos irmãos que perderam tudo com a passagem dos ciclones e felizmente acabamos o conseguindo.

Os títulos conquistados reflectem o actual estágio do voleibol em Moçambique?

Com certeza! O voleibol (em especial o vólei de praia) está na sua melhor fase ao nível de África e ao nível do mundo. Os últimos anos melhoramos sobremaneira as nossas marcas a nível internacional. O voleibol moçambicano está num bom caninho e estes títulos reflectem o actual estágio.

Com isso quer dizer que esses títulos são resultado do trabalho desenvolvido pela Federação Moçambicana de Voleibol?

Sem dúvidas. Temos que dar ao César o que é o do César e a Federação Moçambicana de Voleibol é um dos principais obreiros destas conquistas pelo grande esforço que tem feito para a massificação da modalidade no país e, sobretudo, para nos levar para as provas internacionais.

Melhoramos a marcas nos Africanos, contudo, não conseguimos manter a performance nos Mundiais. O falhou para que não tivéssemos êxito no Campeonato do Mundo?

Em África mandamos nós. Não tivemos sucesso nos mundiais, mas melhoramos as marcas. Precisamos de mais rodagem a nível internacional para começarmos a manda também nos mundiais.

Moçambique tem milhares de atletas, sendo que alguns evoluem fora de portas, mas mesmo assim foi considerada a desportista mais popular de 2018. Como se sente depois deste enorme reconhecimento?

Foi sem dúvidas um dos melhores momentos da minha carreira. E o sentimento é de gratidão em primeiro lugar a Deus, e seguidamente as minhas colegas que contribuíram para que este reconhecimento fosse possível. Sem esquecer do enorme esforço que a FMV tem feito para nos manter nas competições internacionais.

Te sentes uma atleta realizada com os títulos nacionais e internacionais que já conquistou?

Sinto que ganhei mais responsabilidade, naturalmente ainda não estou realizada com apenas estes títulos. O ser humano é ambicioso de natureza e só me sentirei realizada quando chegar o mais longe possível na minha carreira e na vida.

Quem a Liocádia fora das quadras e quais são o seus sonhos?

Fora dos campos de voleibol sou uma pessoa normal e procuro esquecer todos os meus títulos. Gosto de novos desafios. Nos tempos gosto de passear e carne do porco é o meu prato favorito. Sonho terminar minha licenciatura e elevar a nossa bandeira ao mais alto nível seja no Campeonato do Mundo ou nos Jogos Olímpicos.

Qual é o apelo que deixa as entidades que gerem o desporto em Moçambique?

Não estou contra nenhuma modalidade mas julgo que há modalidades que já provaram que não merecem ser acarinhadas como estão sendo agora pois gastam rios de dinheiros (que poderiam ser melhor usados) e só nos dão desalento e tristezas. Por isso reitero que modalidades como o Voleibol, o Salto a corda, taekwondo, karate, Hóquei patins deveriam ter mais primazia em relação a outras.

Por outro lado, pediria para que olhassem com mais carinho ao Voleibol e que fizessem uma aposta mais séria na nossa modalidade. Com condições mínimas que são garantidas pela FMV temos feito maravilhas. Se tivéssemos melhores condições talvez os voos seriam mais altos. Estamos cientes das dificuldades que o país enfrenta mas acreditamos que uma melhor racionalidade dos recursos, apostando nas modalidades que levantam a bandeira nacional além-fronteiras com mérito e orgulho poderíamos projectar ainda mais o nome da nossa pátria amada.

 

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