príncipe indiano abre palácio à comunidade LGBT

O príncipe Manvendra Singh Gohil, provável herdeiro do trono do antigo principado de Rajpipla, hoje localizado no Estado de Gujarat, no oeste da Índia, abrirá às portas de seu palácio para que homossexuais e transexuais indianos perseguidos por sua orientação sexual possam ter onde morar.

Manvendra Singh Gohil foi o primeiro (e único) membro da realeza indiana a assumir publicamente que é gay, num país onde homossexualidade é ilegal. Depois de dez anos a lutar pelos direitos LGBT (sigla de “Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros”), o herdeiro do antigo reino de Rajpipla, vai abrir o seu palácio para que os membros desta comunidade que se sintam rejeitados pela sociedade tenham um sítio para morar.

“As pessoas ainda enfrentam muita pressão por parte das suas famílias quando se assumem, sendo forçados a casar-se ou expulsas de casa. Normalmente não têm para onde ir, nem meios para se sustentar”, afirmou o príncipe numa entrevista à agência Reuters, explicando o projeto.

O príncipe está a remodelar e a ampliar a sua residência de seis hectares para construir quartos, uma pequena clínica e um centro educativo que ensinará inglês para ajudar membros da comunidade LGBT a encontrar emprego. O complexo será gerido pela Lakshya Trust, uma organização que o próprio fundou, imediatamente depois de ter assumido publicamente a sua homossexualidade e de ter sigo renegado pela sua família.

Manvendra Singh Gohil escondeu durante toda a sua adolescência e juventude as suas preferências sexuais à família e chegou inclusive a casar-se com uma mulher: a princesa Chandrika Kumari de Jhabua. Um ano depois divorciou-se e decidiu procurar “uma cura” para a sua homossexualidade, o que resultou numa depressão profunda, conta o próprio.

Em 2006, o príncipe concedeu uma entrevista e assumiu publicamente que é gay, o que resultou na rejeição por parte dos próprios pais, que o consideraram “uma humilhação para a família”. Para o público em geral, no entanto, Manvendra Singh Gohil ganhou um estatuto de “herói”, foi manchete de jornais em todo o mundo e é neste momento um dos ativistas mais proeminentes para a causa gay.

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