Telinho “Sonho voltar a jogar no campeonato sul-africano”

A VIVA! dá aos boas vindas a 2018 com a história de uma figura que marcou Moçambique em 2017. Stélio ‘Telinho’, o ‘Melhor marcador do Moçambola’, partilha com a VIVA! a sua vida no desporto.  

Em 2017 teve uma época de sonho que culminou com a atribuição do título de ‘Melhor Marcador do Moçambola’, como se sente?

É gratificante sentir-me um dos melhores marcadores da história. Acompanhei todo o historial do futebol moçambicano. O primeiro melhor marcador foi o mister Shabat, que veio a ser também um dos meus treinadores na selecção, na camada sub-20. Estou muito feliz por este feito, embora não tenha conseguido alcançar a meta de 25 golos. Dei o meu máximo e alegra-me saber que sou um dos melhores jogadores com 17 golos. Estou muito feliz e agradeço a toda a minha família que me apoiou.

Considera esta a sua melhor época desde que chegou aos seniores?

Certamente que foi uma das minhas melhores épocas, mas já tive épocas ainda melhores e importantes, sendo uma delas aquela em que marquei o golo na Taça de Moçambique num jogo contra a Costa do Sol, que teve lugar no Estádio Nacional do Zimpeto.

Na época finda vimos um Telinho diferente das outras épocas, qual foi o segredo para esta grande mudança?

Tive que trabalhar muito para vencer todos os obstáculos que surgiram. Lutei muito, mas contou também o apoio que tive dos treinadores e dos meus colegas que acreditaram em mim. Isso ajudou muito a mudar o Telinho, que desapareceu num instante e regressou no outro.

Fez a promessa de se tornar melhor marcador com 25 golos, contudo, não conseguiu esta marca. O que pesou para que não atingisse esta meta?

Não constitui segredo para ninguém que nesta época tive alguns problemas fisicos que contribuíram para que não alcançasse a meta dos 25 golos. Contraí várias lesões e tive acumulação de cartões amarelos. Mas, de tudo isso, o pior momento foi quando perdi a minha esposa e mãe da minha filha. Fiquei muito transtornado, abatido, desorientado, não conseguia pensar nem fazer nada, porque tinha perdido uma das partes mais importantes da minha vida. Durante essa fase o melhor foi o apoio que me foi prestado pelos colegas, família e principalmente pela minha filha, que foi quem me deu mais força para que eu conseguisse erguer a cabeça e trabalhar por ela. Tudo o que fiz este ano foi por ela. Eu tinha que lhe dar esse prémio pois ela merecia e merece muito mais.

Quais são os objectivos de Telinho para a época que se avizinha?

Um dos meus objectivos ainda não foi alcançado que é de chegar aos 25 golos. Vou lutar por isso e estou confiante que irei alcançar o objectivo. Um outro propósito é vencer todas as competições que teremos. Sonho também em voltar a jogar no campeonato africano.

Que análise faz do futebol nacional no presente?

Noto que entre o futebol do passado e o actual há muita diferença. Muita coisa mudou. Há muita cobertura mediática, muito apoio. Hoje, quem entra em campo vai para dar espectáculo e mostrar aquilo que realmente sabe fazer.

Falou-se que na próxima época voltaria a jogar no estrangeiro. A ser verdade qual é o seu campeonato favorito?

Em princípio a minha cabeça não está no futebol estrangeiro. Tudo o que se falou não tem fundamento. Ainda estou e vou continuar a jogar no futebol moçambicano. Se porventura tiver a sorte de jogar em outro campeonato não gostaria de ir para a Europa mas sim para a África do Sul. Penso que o sul-africano foi o campeonato de que mais gostei, e vou lutar para conseguir o que mais desejo, que é voltar.

Como futebolista já teve muitos treinadores, qual deles foi marcante na sua carreira?

Durante o meu percurso tive dois treinadores que marcaram a minha carreira, dos quais não me esqueço até hoje. São o Artur Semedo e Sérgio Faife. Eles fizeram o Telinho, acreditaram no meu potencial.

Teve duas experiências além-fronteiras, uma em Portugal e a outra na África de Sul, o que pesou para que não singrasse nesses dois campeonatos?

No primeiro ano em que fui para Portugal – onde felizmente fui muito bem recebido – cumpri com aquilo que era o meu dever, no entanto, o único azar que tivemos foi de estar num clube (1 de Maio) que não tinha muitas ambições. Foi por essa razão que logo que findou o contrato preferi voltar para Moçambique. Jogar num clube sem ambição é perda de tempo.

Desde a chegada de Abel Xavier tem sido uma das presenças assíduas nos Mambas, com que olho vê o seleccionador e que esperanças coloca nesta selecção cheia de novos valores do futebol moçambicano?

O Abel Xavier é um grande treinador, é um dos treinadores que quer ver a selecção evoluir, ver os seus jogadores a jogarem em campeonatos europeus. É uma pessoa que acompanha todo o nosso futebol. Ele consegue tirar proveito de alguns jogadores cujos treinadores não conseguiam. O meu regresso à selecção nacional foi fruto de muito trabalho e sacrifício. Ele percebeu que eu tinha essa força e que queria voltar à selecção. Dei o meu máximo e ele acreditou em mim. O que me resta é continuar a trabalhar, defender as cores de Moçambique e carregar as esperanças de milhões de moçambicanos às costas, algo que não é fácil e exige que saibamos lidar com isso.

Quase todos temos ídolos nas nossas profissões, em que jogador o Telinho se inspira?

Desde criança nunca tive outros ídolos se não o Dominguez. Nunca mudei, sempre gostei do seu jeito de ser e estar em campo. É um bom companheiro e excelente colega.

O futebol mundial gira em volta de duas estrelas que dispensam qualquer tipo de apresentação. Entre Ronaldo e Messi qual é o seu preferido?

Gosto dos dois jogadores, mas aprecio mais o CR7 porque é uma das pessoas que não nasceu com dom. Buscou tê-lo, trabalhou para tal. Acreditou em si mesmo. Foi uma das pessoas que me mostrou que só trabalhando podemos alcançar o que desejamos. Temos visto que até nas férias o CR7 não descansa, está sempre a trabalhar.

 Bilhete de Identidade

Stélio Marcelino Ernesto (Telinho), nascido em 1988.

Jogador de futebol considerado, em 2017, o  melhor marcador do Moçambola

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