“O Bebedor de Horizontes”: Mia Couto lança último livro da trilogia na quarta

“O Bebedor de Horizontes” é o título do último livro da trilogia “As Àreas do Imperador”, do escritor Mia Couto, a ser lançado na quarta-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

A viagem iniciada em 2015, com a publicação de “Mulheres de Cinza”, é o retrato ficcionado, da derrocada do Império de Gaza, no sul de Moçambique, tido como o palco de maior resistência à penetração colonial portuguesa.

Em “O Bebedor de Horizontes”, que sai sob chancela da Fundação Fernando Leite Couto, na voz da personagem Imani – uma mulher da etnia chopi que falava português -o escritor narra a prisão de Ngugunhana, em 1895.

Depois de no ano passado ter publicado “A espada e Azagaia”, o segundo da trilogia, que marcou a entrada definitiva do imperador, neste último, Mia Couto recria os labirintos da história que se desenrolou desde a saída de Chaímite, acompanhado pelo seu filho Godigo, o tio e conselheiro Mulungo, o seu cozinheiro Ngo e esposas até a Ilha dos Açores, em Portugal.

Mergulhando nos últimos dias da vida de Ngugunhane, que faleceu em 1906, no Hospital Militar de Angra do Heroísmo, vítima de hemorragia cerebral, o romance explora factos reais, como a apreensão, algures nas margens do Limpopo, de Nwamatibjana, líder dos Mpfumo.

Aquando da publicação do segundo livro, em entrevista a Agência Lusa, terá dito que a trilogia busca “versões da história contada por vencedores e vencidos”.

Imani, grávida do sargento português Germano de Melo, depois de ter estudado numa missão católica, se destaca na qualidade de tradutora das autoridades lusitanas, servindo, deste modo, de ponte para ambos lados.

O primeiro volume da Trilogia “As Áreas do Imperador”, é o quinto livro mais vendido na Alemanha, onde a tradução leva o título de “Imani”. O segundo, por sua vez, está traduzido ou em vias de tradução em várias partes do mundo.

Pouco antes da publicação de “A Espada e a Azagaia”, Mia Couto visitou a Ilha dos Açores, tendo constatado, conforme uma entrevista dada na altura da publicação portuguesa ao “Observador”, que a ideia de africanos deportados, que fizerem as suas vidas em Portugal, mostra que há muito mais em comum entre as duas realidades.

Depreende-se, por outro lado, que essa viagem tenha servido para que o escritor pudesse reviver aquele espaço geográfico, de forma a retratá-lo com mais propriedade.

 

 

Texto:Notícias 

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