XitikoNiMbaula lança hoje seu primeiro álbum

O agrupamento moçambicano XitikoNiMbaula, que alcançou grande sucesso no sul do país no ano de 2006, lança hoje, em Maputo, o seu primeiro álbum da carreira, intitulado “Akaya”, para contar “as fortunas e dilemas de Moçambique”.

Em declarações ao “Notícias”, DinguiZwayo, um dos integrantes do grupo, diz que ao longo dos 20 anos da existência do grupo, sempre contaram histórias, mas, em “Akaya”, fazem-no com uma grande “maturidade”: “Tudo parte de casa, e nesse nosso primeiro CD decidimos apresentar-nos ao mundo, mas carregando a nossa casa nas costas”.

O grupo, com cerca de 20 anos de existência, conta que a concretização deste projecto foi um processo muito longo. “Sempre tivemos quedas, mas por causa das metas definidas, levantamo-nos e continuamos, e aqui estamos”, diz DinguiZwayo.

Cantado para Moçambique, em particular, para África “e para o mundo”, no geral, o CD explora em 15 temas hip-hop, afro-fusion e jazz, mantendo a fidelidade do grupo a essa polivalência rítmica.

Produto do percurso deste colectivo da Matola, província de Maputo, mais concretamente nos bairros Patrice Lumumba e Singathela, donde são provenientes os seus integrantes e donde  encontram sua inspiração, “Akaya” é cantado em ronga, chope, inglês e português.

“É complicado, pondo-me no lugar de um pai, ter que escolher este ou aquele filho, mas a música ‘KomaneSwi Tia’, com Isabel Novela, identifica-me, porque retrata um fenómeno com o qual, pessoalmente, me confronto, para que os jovens não percam as oportunidades que lhes aparecem pela frente. Mesmo com dificuldades, temos de tudo para executar aquilo que nos foi incumbido”, afirma DinguiZwayo, ciente de estar a quebrar a barreira, que os músicos têm em não revelar suas preferências nos seus trabalhos.

Afirma que o álbum tem também uma faixa intitulada “Simba”, que fala de racismo, que, em situações normais, é manifestada entre duas raças diferentes, negros e brancos, por exemplo, e na música, cantada em língua inglesa, explica-se o que é o racismo. “Também podemos explicar usando uma outra, como o ronga, por exemplo”, afirma.

Produzido e financiado com fundos próprios, o álbum será lançado, numa sessão apenas de venda, este sábado, dia 28 de Outubro, em Maputo, aguardando pelo lançamento oficial no primeiro semestre de 2018.

Uma das características do grupo é a valorização das línguas nacionais. “Estamos numa era de globalização, onde há um consumismo exagerado das culturas alheias, pouco se faz no exercício de separar o que é consumível e o que não é … agora, nessa aldeia cultural, cabe a nós internacionalizarmos o que é nosso também”.

Questionado sobre o facto de o lançamento do álbum ter demorado a acontecer, o nosso interlocutor respondeu que “queríamos trazer um produto que, estando na mão duma pessoa, ela perceba que houve um trabalho preliminar para que esse produto viesse à tona”, realçou a nossa fonte, adiantando que, por exemplo, o trabalho final custou cerca de cem mil meticais.

XitikoNiMbaula é um grupo composto por dois jovens, DinguiZwayo e S Gee, apaixonados pelas línguas locais, principalmente o ronga. Sua história começa por volta de 1994, altura em que imitavam grandes nomes do hip-hop norte-americano e que, em 1996, gravaram sua primeira música.

No início de 2004, começaram a ser chamados para grandes espectáculos, como por exemplo “À Quinta no África, “onde participamos numa das edições. Daí percebemos que tínhamos de investir intelectualmente e materialmente nisto… logo, começamos a preparar o nosso álbum, já lá vão dez anos, mas esse tempo todo à procura de qualidade”.

 

 

Texto:Notícias

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