Macvildo Pedro Bonde vence a primeira edição do prémio literário Fernando Leite Couto

De um total de 142 candidatos, o poeta Macvildo Pedro Bonde foi o vencedor da primeira edição do prémio literário Fernando Leite Couto. O anúncio foi feito na tarde de ontem (quinta-feira), num evento que teve lugar na Fundação Fernando Leite Couto e contou com a presença de vários convidados e grande parte dos candidatos que disputavam o prémio. Das mãos de António Mendes, director da Trassus mobiliários, patrocinadora da premiação e do presidente da Fundação Fernando Leite Couto, Mia Couto, o poe

ta Macvildo Pedro Bonde recebeu um cheque no valor de 150 mil meticais. “É sempre um privilégio falar de poesia, um género com tradição. Para mim o prémio é uma forma de incentivar à leitura e escrita. O projecto ora premiado é resultado dessas leituras e da minha forma de ser e estar na vida. Estou nisto há 18 anos, talvez esta seja uma forma de recompensa. Viva a poesia, viva a Fundação. Que esta premiação não se fique por aqui”, agradeceu o premiado.

Por sua vez, António Mendes explicou aos presentes os motivos que levaram a Trassus a abraçar este projecto. “Estamos por trás deste projecto desde o início porque achamos que o país tem uma grande tradição na literatura. Apoiamos estas premiaçao em parceria com a Fundação, que é para nós um privilégio. Ao ficarmos com a certeza de que o género ia ser poesia, que é um género difícil e não muito apoiado em termos de publicação achamos que era uma grande oportunidade, por isso abraçamos este projecto e esperamos estar nos próximos, em parceria com a Fundação, no sentido de aos poucos, e dentro das nossas possibilidades dar um contributo à cultura moçambicana, e garantir que possam efectivamente surgir grandes sucessos.”

Nesta primeira edição, parte do sucesso do projecto foi assegurado pelo corpo de júri, tal como fez questão de o referir Mia Couto. “Este evento não é mais que qualquer outro evento que fizemos. Esta é mais uma actividade que estamos a fazer com tanto empenho. Quero saudar o júri. Quisemos apostar num júri de toda a qualidade, que garantisse não só isenção mas também respeito àquilo que tem a ver com critério”.

A representar os membros do júri, o académico Aurélio Cuna, a quem coube também presidir um júri composto por Cármen Lúcia Tindó, profesora de Literaturas Africanas na Universiade Federal do Rio de Janeiro , José Eduardo Agualusa, escritor angolano, Luís Carlos Patraquim, poeta moçambicano, felicitou a todos os participantes. “Julgo que todos somos vencedores. Quando concorremos, todos vencemos, e em última instância venceu a literatura moçambicana”, considerou Aurélio Cuna que, segundo explicou, parte significativa deste júri não reside em Moçambique, e isso fez com que todos os encontros fossem realizados em vídeo-conferências. No primeiro, os membros do júri debruçaram-se sobre as disposições do regulamento do prémio, tendo sido estabelecido que para a classificação das obras, além da observação do que foi estritamente clausulado no regulamento dever-se-ia ter em conta, sobretudo os seguintes aspectos: inovação do formato, qualidade temática e por último correcção linguística.

No segundo encontro realizado após a leitura e primeira classificação das obras, procedeu-se a apresentação dos seguintes resultados: de um total de 142 obras concorrentes, ficaram apuradas 12 com vista à eleição da ‘melhor’. Depois de examinadas as 12 convocou-se mais um encontro, que seria o último. Nesta sessão, os membros do júri debruçaram-se sobre a obra ‘discrição das sombras e do silêncio’, da autoria de Macvildo Pedro Bonde . Na avaliação do júri, neste trabalho, Nildo explora uma variedade temática que vai desde o amor, solidão, angústia, paisagens, seres, natureza até a reflexão sobre a própria poesia, ou seja, a meta poesia. “O texto beneficia de uma linguagem gramaticalmente correcta e esteticamente rica, mercê de um recurso bem conseguido a alegorias, ironias subtis, e recortes descritivos”, considerou o corpo de júri que decidiu, por unanimidade, atribuir o prémio Fernando Leite Couto, edição 2017 ao livro ‘discrição das sombras e do silêncio’, o qual será editado e lançado pela Fundação.

 

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