Zav: Não é por causa dos meus quadris que publico fotos e promovo a campanha ‘Quarentonas’

Há aproximadamente uma semana foi a autora de uma das publicações mais comentadas nas redes sociais. Em homenagem às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), Zav publicou várias fotos em que aparece trajada de uniforme das FADM. Muitos apreciaram a iniciativa mas também, como em qualquer foto que a cantora publica, não faltaram elogios, principalmente à sua forma física e aparência jovem.

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Já nos 40 anos, Zav tem se empenhado em promover campanhas de elevação da auto-estima das mulheres nessa idade. O grupo chama-se ‘Quarentonas’ e já tem um clube que brevemente será anunciado e apresentado publicamente. “…Para ser feliz não importa a idade nem precisa ter muito dinheiro. A mulher só precisa estar bem consigo mesma…”, este é um princípio que move este clube que já conta com várias simpatizantes.

O que a motivou a desenvolver esta campanha?

IMG_20170916_8 (1)As mulheres depois dos 30 sentem-se envelhecidas. Também a própria sociedade, quando sabe que uma mulher tem essa idade já a encara como uma de uma idade avançada. Eu não acho. Penso que 40 anos é a fase certa em que a mulher começa a encontrar-se, a sentir o verdadeiro sentido de ser mulher. É nesta fase que conseguimos descobrir muita coisa em nós mesmas, ter o verdadeiro sentido da vida, cuidar da saúde, avaliar os nossos hábitos. Até na intimidade de um casal, há coisas que só nessa idade as mulheres sentem. Estamos a abrir o clube das quarentonas. Em breve anunciaremos e convidaremos todas as mulheres. Queremos mostrar que para se ser feliz não precisamos ter muito dinheiro. A mulher só precisa estar bem consigo mesma, fazer aquilo de que gosta, realizar as suas actividades domésticas.

Em si como é que foi ou está a ser este processo?

No dia em que completei 40 anos olhei-me ao espelho e observei que atéIMG_20170128_000703 estava mais bonita que antes. Agora estou a viver e a ser eu mesma. Já não me preocupo com dietas. Houve uma altura que isso era uma prática em mim, até adoecia, mas insistia em emagrecer porque a sociedade assim o exigia e definia como padrão. Mas agora sinto-me bem assim, acima de tudo acho que temos que nos sentir bem connosco mesmas. Sobre algumas decisões que tomei no passado, que na altura foram criticadas, hoje consigo perceber melhor essas críticas.

Não se pode ignorar a forma física, sobretudo os quadris da Zav, que têm merecido muitos elogios. Este aspecto também tem influência na sua campanha?

IMG_20170130_113335Não é pelos meus quadris que publico as fotos nas redes sociais ou promovo esta campanha. Toda a mulher é bonita à sua maneira. No mundo existem múltiplos perfis de corpo e cada um é bonito à sua maneira e adapta-se a um determinado estilo de roupa. Nas redes sociais, infelizmente muitas pessoas desviam a sua atenção para o não essencial, ignorando o fundamental que seria a elevação da auto-estima, importância de sempre manter um sorriso.

A mulher africana, moçambicana em particular, tem coxas grossas por natureza. Isso não é uma particularidade da Zav, até porque tenho partes do corpo de que não gosto, com as quais luto, é o caso da cintura. Depois do parto, por exemplo, muitas mulheres desleixam-se, não usam a cinta modeladora alegando dores, mas é necessário.

Que cuidado tem tido com o corpo?

Faço ginástica, bebo muita água, o que é o recomendado. Na cara tenho feitoIMG_20160615_100304 ‘máscara’ de argila com mel. Quando me sinto muito pesada, cansada, tomo limão. Antes fazia muita dieta, agora não. O que confesso que faço é lutar contra a barriga. Mesmo com dores e desconforto, sempre que necessário uso cinta modeladora. Algumas pessoas até pensam que fiz cirurgia plástica, mas a minha cirurgia é a cinta, mas confesso que se tivesse alguém que me patrocinasse essa intervenção cirúrgica o faria, assim parava de sofrer com as cintas. Quando vou a televisão ou tenho que fazer fotos, vídeos, uso a minha cinta. Acho que as pessoas conseguem notar isso. Também faço trabalhos domésticos. Gosto muito. Em minha casa não tenho máquina de puxar cera, por exemplo, por vezes sou eu mesma a pôr a mão na massa.

Quando apetece-me moer, vou. Sei que ao pilar o milho, por exemplo, estarei simultaneamente a fazer duas coisas boas: preparar a farinha e a fazer exercícios físicos. Se eu pensar assim nunca me será difícil realizar as minhas actividades domésticas. Mas a minha intenção não é ficar magra, já deixei de correr atrás dos padrões impostos pela sociedade, gosto de mim assim.

Aceitaria posar nua para uma revista?

IMG_20170916_8 (1)Acho que não, já nem vou a tempo… Mas é o seguinte, nesta vida fui aprendendo que não devemos afirmar que nunca faríamos algo. Penso que se tivesse motivos fortes o faria. Nos países em que as mulheres posam nuas, as recompensas monetárias são boas. Se esse fosse o caso, de ter uma recompensa que me permitisse, por exemplo, ter uma vida minimamente estável nos próximo anos, comprar a casa dos meus sonhos, ou ter alguém doente cujo tratamento exige muito dinheiro se calhar talvez o fizesse. O importante é estar consciente da repercussão que isso terá.

Este ano, veio a Moçambique a modelo norte-americana Bernice Burgos, a convite de um promotor de eventos. Nas redes sociais houve quem criticasse o facto de se ter convidado uma modelo, quando existe a Zav. Qual foi o seu sentimento relativamente a esse assunto?

Acompanhei o assunto, nalgum momento até opinei. É necessário percebermos que em Moçambique ainda não temos hosters, e eu não sou hoster. A referida festa exigia a presença de alguém com essas características, foi nesse contexto que a norte-americana veio. Quando não temos algo internamente só podemos mandar vir de fora. Não vi motivo para tanto alvoroço. Infelizmente temos a mania de correr para criticar, questionar sem antes perceber a essência das coisas.

Mas não encarou isso como uma demonstração de apreço por parte do público?

Agradeci pelo carinho e consideração que todos tiveram por mim, mas infelizmente não tinha nada a ver com o que aquela modelo faz.

E na música como está a sua carreira? Há algum tempo que a Zav não é vista nas televisões ou espectáculos.

Não estou em nenhum intervalo. Acontece que este ano não lancei nenhum vídeo, apenas algumas músicas. Não vou muito à televisão por causa do trabalho. Infelizmente mudámos os nossos escritórios. Antes estávamos na baixa da cidade, o que me permitia uma fuga rápida para a televisão, mas agora ficou difícil. Grande parte dos programas de entretenimento passa no período da tarde, e tem sido difícil abandonar o trabalho para ir aos programas.

Tem uma carreira profissional e outra musical. Em qual se sente realizada?

Em nenhuma ainda. Tenho muitos sonhos, alguns já realizados outros não. Infelizmente a vida é feita de desejos e sonhos constantes. Quando realizamos um, já desejamos outro. Na música, se eu estivesse a 100% talvez já estivesse realizada, mas só estou a 25%. Graças a Deus, já tenho conquistas e reconhecimento que muitos não possuem. Agradeço também aos fãs por isso. Mas ainda falta muita coisa, se calhar mais entrega da minha parte. Os tempos estão a mudar e exigem que se invista mais. Na vida profissional também, há sempre conquistas por alcançar.

Tem algum artista nacional no qual se inspira ou admira?

Admiro todos os meus colegas, os artistas no seu todo. Estamos numa sociedade que por vezes confunde crítica com insulto, agressão. Quando vejo artistas, não só músicos, que têm a ousadia de lançar algo inovador sem saber como será recebido fico orgulhosa, esses merecem o meu respeito.

Relativamente a esse aspecto da exposição a que o artista ou figura pública no geral está sujeito, que cuidados a Zav toma para não se ver vítima de sobreexposição?

Infelizmente uma pessoa pública tem a sua privacidade reduzida. E infelizmente em todo o lado existem pessoas que perseguem e inventam. O que tenho feito é saber lidar com essas invenções. Antes incomodavam-me, eu até chorava. Agora estou em condições de perceber o que as pessoas pensam a meu respeito, qual é o grupo que pensa de uma determinada forma, qual é o que pensa de outra. Antes isso me era difícil. Tenho fãs que gostam de saber como estou. Tenho que satisfazê-los. É tão bom quando se recebe um elogio, isso eleva a auto-estima. É também importante expor o que fazemos porque isso permite medir a atenção das pessoas.

O que sinto é que algumas vezes nós artistas exageramos. Em termos deIMG_20170126_191458 roupa, por exemplo, temos que saber o que, para onde e como a vestimos. Quando vou cantar num casamento, tenho que ter essa consciência. Não posso vestir um calçãozinho ou roupas que levo para o palco. Quando se está num palco a coisa é outra. Lá o espaço é do artista, cabendo às pessoas que vão assistir avaliar se podem ou não levar crianças, se uma pessoa sensível pode ou não ir. Quando se vai a televisão também é preciso avaliar a roupa em função do horário e tipo de programa. São esses e outros aspectos sobre os quais hoje tenho maturidade para decidir. São coisas que se calhar também já tenha feito e tenha recebido críticas na altura, mas que hoje estou em condições de perceber.

Há alguns meses circulou, nas redes sociais, uma notícia na qual supostamente a Zav dizia que já não está em idade de se preocupar em casar. Esse pronunciamento é real?

Isso foi em resposta a um comentário que dizia ‘a Zav está ai a exibir-se, se tivesse marido ao menos’. Eu perguntei ‘quem lhe disse que estou preocupada com marido. Quem disse que nunca casei? Você sabe do meu passado, presente ou futuro? Faça uma filha, tente impor-lhe um casamento para ver se essa será a vontade dela. Será o seu desejo, mas poderá não ser o dela.” Muitas pessoas gostam de se espelhar a si nos outros. É certo que a sociedade já define que o percurso de um filho é nascer, crescer, ter o canudo, casar e ficar. Mas o meu mundo pode não ser esse. E posso ser feliz sem casar. Dos meus relacionamentos eu é que sei, eu é que os tive e sei porque os terminei. Há muita gente que está casada só para a sociedade ver que está bem quando na realidade lá dentro é um inferno.

Mas a Zav sonha em casar?

Toda a mulher sonha, mas a vida por vezes nos faz perceber que casamento já não é um sonho.

É uma mulher muito viajada.

Tenho dito que se fosse rica ia conhecer todos os países do mundo, porque gosto de viajar. Admiro o mundo, a vida e cada coisa que existe na natureza. É incrível ver a importância que cada coisa tem, obviamente com as suas vantagens e desvantagens. Há muita coisa boa lá fora. Se calhar o contacto com a realidade exterior fez-me conseguir encarar certas coisas aqui. Há coisas que vejo que a sociedade critica nos músicos por falta de conhecimento de outras realidades. Existem muitos falsos moralistas. Cabe a nós mostrar como realmente são as coisas. Logicamente, nem todos têm a possibilidade de viajar mas a internet já nos permite fazer essas viagens de forma virtual. No dia que vi a Beyoncé cair num palco comecei a não me incomodar por o mesmo acontecer comigo. Já caí muitas vezes e aprendi a encarar esses incidentes de forma descontraída. Uso isso como exemplo para mostrar que é bom viajar, quer fisicamente ou virtualmente, ter contacto com outras culturas, isso abre a mente.

Bilhete de Identidade

Madina Givralgy Vaz, natural de Maputo

Filha de Jose Macedo Vaz e Mariamo Givralgy

É formada em Contabilidade e auditoria pelo ISCTEM

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